Tom Dixon. O design entre o berço e o caixão

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Saiu no P2 de 20 de Janeiro, com o jornal Público, o meu artigo sobre a colaboração do IKEA com Tom Dixon, que entrevistei em Lisboa no lançamento da segunda fase da colecção Delaktig. As fotografias são de Miguel Manso. É o meu primeiro trabalho para um jornal nacional generalista e pode ser lido AQUI.

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As imagens de Sócrates

À medida que o caso José Sócrates se vai desenvolvendo, algumas imagens vão surgindo associadas a um drama relativamente pobre em registos visuais do sujeito em causa (como de resto deveria, idealmente, ser). Cada elemento novo é ostentado nos media como uma pequena conquista—todos querem ver o ex-primeiro ministro detido, mas talvez não tanto como todos o querem assim mostrar.

A capa do Público de hoje (domingo, 23 de novembro) tem aquela que é para mim a fotografia mais inquietante não apenas deste processo, mas da vida pública portuguesa dos últimos tempos. Não quero discutir a ética do acto de fotografar e publicar uma imagem de um cidadão numa situação tão vulnerável. O que é interessante aqui é a narrativa apresentada pela fotografia. Ela mostra o governante em queda, o regime no seu ponto mais baixo. Por mais subtil que seja a imagem, e por mais sentimentos ela desperte, é incontornável o facto de que ela condena José Sócrates. O homem cuja silhueta nós vemos está acabado. Publicar uma foto destas não é uma decisão automática. Esta imagem resume as horas e horas de notícias, opiniões e especulações dos últimos dias. Sei que das outras imagens que surgiram se podia dizer o mesmo, mas pelo facto de eu considerar que ela é uma boa fotografia (e não sei porquê, não o conseguia justificar), esta em particular torna-se mais assombrosa.

Há momentos, enquanto me preparava para publicar este texto, a transmissão em directo da SIC mostrava o carro que transporta José Sócrates, que pareceu dirigir um sorriso para as câmaras. Congelada numa fotografia, que história conta esta imagem?

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O Público e o conteúdo digital pago

Frederico Batista e Sérgio B. Gomes (texto) + Sara-a-dias (ilustração), Público

O Público prepara-se pra começar a cobrar pelos seus conteúdos online. Já o faz, de uma forma contida, mas em breve os leitores não-pagantes só terão acesso a 20 artigos por mês. à partida a reacção das pessoas é negativa. Presumo que seja pelo facto de a informação online gratuita de qualidade ser entendida como um dado adquirido. Ao mesmo tempo que isto acontece, discute-se amplamente como é que internet e jornalismo podem conviver (ainda há dias, aqui). A verdade é que muitos jornais, um pouco por todo o mundo, começaram a ter de tomar posições semelhantes à do Público, de forma a garantir a viabilidade financeira dos projectos editoriais. Mesmo em Portugal já não é caso único (ver Expresso, RTP, SIC,…).

Não sou um leitor assíduo de jornais impressos, ontem comprei por acaso o Público, como faço esporadicamente e fiquei surpreendido quando vi que estava a ser publicada uma série de artigos que contextualiza esta decisão de tornar o site do jornal num serviço pago. Ontem fazia-se um apanhado de diferentes soluções que várias publicações têm adoptado para resolver o problema do financiamento na era digital. Hoje uma espécie de banda desenhada ilustrada pela Sara-a-Dias recapitulava a história dos jornais online em Portugal. Amanhã especula-se sobre o futuro do jornalismo, mais precisamente em 2041.

Não sei, na verdade, o que perdi para trás, nem quanto tempo mais vai durar esta série, mas enquanto durar vou acompanhá-la com atenção. Parece-me uma decisão muito correcta e materializada de forma útil e informativa. Concorde-se ou não com a decisão, o Público demonstra uma enorme sensibilidade para o facto de este ser um piso muito escorregadio.