Passos Coelho é que é o Presidente da Junta!

Comparar Portugal e o Egipto será exagerado, não o quero fazer. Apesar dos muitos pontos de semelhança metafóricos que podem ser encontrados, vou-me limitar a um: o facto de, no mesmo dia, Passos Coelho e Morsi assumirem a sua cegueira egocêntrica e afirmarem “eu não saio.” Um pressionado pelo exército, o outro pressionado pela opinião pública, ambos pressionados pela realidade.

Por aqui, o rei vai nu. Existe uma explicação para o tom semi-celebrativo que foi assumido nas televisões ao longo do dia: tudo apontava, aliás, exigia, uma demissão. Se estes dois anos de políticas desastrosas de agressão ao direito de felicidade dos portugueses não tinham chegado, então a queda das duas personalidades mais importante do governo da coligação deveria chegar. Excepto para o Primeiro-Ministro. Alguns dirão que é em prol da estabilidade, que o que vem depois das eleições será pior. Mas quando confrontados com a actualidade deste governo, temos mais razões para acreditar no futuro duvidoso do que no presente certo. A resignação é que não. Passos Coelho dá as últimas, mostrando-se o louco que sempre indiciou ser. Cavaco SIlva, na sua senilidade penosa, põe-se de lado da situação, esperando que a história o absolva. Mas não o absolverá, nem a Gaspar, nem a Portas, nem a Relvas. Os barcos que afundam são, geralmente, mais infames que os que ficam à tona.

Mas tanto para Passos como para Morsi, nada disto interessa, a ficção é melhor que a realidade. Mandar é sempre fixe. E apropriando-me da referência feita na TVI, “viva o presidente da junta!”