Caso de Estágio

Os meus colegas que, tal como eu, se licenciaram este ano, começaram agora a procurar trabalho. Claro que isto chegou para que surgissem de imediato as história inevitáveis de empresas que não pagam, pagam mal, que procuram estagiários, etc.

O caso do dia foi quando alguém se lembrou de ir ao grupo de facebook da turma partilhar uma “oferta de trabalho” numa empresa de parques infantis, de acordo com o seguinte regime: estágio curricular (com almoço e transportes pagos), estágio do IEFP e por fim o contrato. Ora, a FBAUL nem sequer tem programa de estágios curriculares, portanto chamei logo à atenção que aquilo era trabalho não-remunerado. A pessoa em causa afirmou que nem todos os estágios são para a faculdade e que aquilo era uma forma de o trabalhador não ter de se comprometer com um estágio no IEFP. Ah, e claro que disse que almoços e transportes era melhor que nada. Insisti e disse que o trabalho paga-se, e que ela podia chamar o que bem quisesse àquilo que continuava a ser exploração. E pronto, descambou. Desejou-me boa sorte com a minha revolução, disse que devia ir à minha vidinha como as outras pessoas que ignoraram o anúncio, ficou chocada quando comparei os estágios não-remunerados à escravatura, disse que “não merecíamos um caralho”… Isto vindo de uma pessoa apenas 2 anos mais velha que eu, que devia estar precisamente deste lado da barricada a combater este tipo de propostas revoltantes. Aposto que a seguir foi pôr like na página do Portugal à Frente, tudo nesta conversa soava a programa Vem.

Enfim, mais um dia no mundo real.