Tom Dixon. O design entre o berço e o caixão

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Saiu no P2 de 20 de Janeiro, com o jornal Público, o meu artigo sobre a colaboração do IKEA com Tom Dixon, que entrevistei em Lisboa no lançamento da segunda fase da colecção Delaktig. As fotografias são de Miguel Manso. É o meu primeiro trabalho para um jornal nacional generalista e pode ser lido AQUI.

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As notícias

Hoje assinei a edição digital do The Economist. Já há vários meses que queria assinar um jornal ou revista de notícias, mas fui sempre adiando devido à indecisão. Experimentei o modelo do Expresso, que até acho bastante interessante: compra-se o jornal ao Sábado e tem-se acesso ao conteúdo digital durante o resto da semana. É uma espécie de assinatura sem grande compromisso, o que é positivo, mas senti que os conteúdos eram relativamente limitados. O mesmo acontece com o Público, cuja versão digital não me convence, e não estava interessado numa assinatura em papel. Remetendo a escolha para os internacionais, depois de uma triagem a maior dúvida ficou entre o Economist e o New York Times. Experimentei ambos durante algum tempo nas suas versões gratuitas e só fiquei com pena de não ter dinheiro dispensável para assinar ambos. Acabei por escolher o Economist porque além da qualidade jornalística e da escrita, dá-me ainda a possibilidade de ouvir os artigos, o que é perfeito para viagens e para lavar a loiça quando ela se acumula numa pilha. O facto de ser semanário também se adequa mais ao meu tempo de leitura, além de preferir ler artigos mais “processados” e informados sobre os assuntos da actualidade, bem como a excelente vertente histórica e cultural que as peças do Economist apresentam. A tempos, vou comprando a Courrier Internacional por estes mesmos motivos e continua a ser uma das revistas que me dá mais gosto ler. Sinto que para aproveitar a assinatura do NYT decentemente tinha de ser um verdadeiro nova-iorquino inundado em cafeína e com níveis de stress estilo Woody Allen, a ler notícias freneticamente até ficar atormentado. Assim, posso ler com calma peças escritas (penso eu) com a calma necessária para serem devidamente informativas, mesmo quando assumem posições ideológicas muito demarcadas (o número desta semana do Economist é um enxovalho monumental ao Jeremy Corbyn). Vou complementando com a app Economist Espresso, que dá um resumo das notícias do dia, bem como uma consulta ao Guardian e aos 10 artigos mensais do NYT. Sinto-me um bocado como o Miguel Esteves Cardoso, nas suas crónicas recentes para o Público, ao escrever sobre isto, mas dá-me um especial prazer encontrar uma lógica eficiente para ler notícias sem sentir que isso seja uma obrigação. É como ver o quarto arrumado de quinze em quinze dias, ou a loiça lavada depois de um grande jantar com amigos.

O Público e o conteúdo digital pago

Frederico Batista e Sérgio B. Gomes (texto) + Sara-a-dias (ilustração), Público

O Público prepara-se pra começar a cobrar pelos seus conteúdos online. Já o faz, de uma forma contida, mas em breve os leitores não-pagantes só terão acesso a 20 artigos por mês. à partida a reacção das pessoas é negativa. Presumo que seja pelo facto de a informação online gratuita de qualidade ser entendida como um dado adquirido. Ao mesmo tempo que isto acontece, discute-se amplamente como é que internet e jornalismo podem conviver (ainda há dias, aqui). A verdade é que muitos jornais, um pouco por todo o mundo, começaram a ter de tomar posições semelhantes à do Público, de forma a garantir a viabilidade financeira dos projectos editoriais. Mesmo em Portugal já não é caso único (ver Expresso, RTP, SIC,…).

Não sou um leitor assíduo de jornais impressos, ontem comprei por acaso o Público, como faço esporadicamente e fiquei surpreendido quando vi que estava a ser publicada uma série de artigos que contextualiza esta decisão de tornar o site do jornal num serviço pago. Ontem fazia-se um apanhado de diferentes soluções que várias publicações têm adoptado para resolver o problema do financiamento na era digital. Hoje uma espécie de banda desenhada ilustrada pela Sara-a-Dias recapitulava a história dos jornais online em Portugal. Amanhã especula-se sobre o futuro do jornalismo, mais precisamente em 2041.

Não sei, na verdade, o que perdi para trás, nem quanto tempo mais vai durar esta série, mas enquanto durar vou acompanhá-la com atenção. Parece-me uma decisão muito correcta e materializada de forma útil e informativa. Concorde-se ou não com a decisão, o Público demonstra uma enorme sensibilidade para o facto de este ser um piso muito escorregadio.