O Público e o conteúdo digital pago

Frederico Batista e Sérgio B. Gomes (texto) + Sara-a-dias (ilustração), Público

O Público prepara-se pra começar a cobrar pelos seus conteúdos online. Já o faz, de uma forma contida, mas em breve os leitores não-pagantes só terão acesso a 20 artigos por mês. à partida a reacção das pessoas é negativa. Presumo que seja pelo facto de a informação online gratuita de qualidade ser entendida como um dado adquirido. Ao mesmo tempo que isto acontece, discute-se amplamente como é que internet e jornalismo podem conviver (ainda há dias, aqui). A verdade é que muitos jornais, um pouco por todo o mundo, começaram a ter de tomar posições semelhantes à do Público, de forma a garantir a viabilidade financeira dos projectos editoriais. Mesmo em Portugal já não é caso único (ver Expresso, RTP, SIC,…).

Não sou um leitor assíduo de jornais impressos, ontem comprei por acaso o Público, como faço esporadicamente e fiquei surpreendido quando vi que estava a ser publicada uma série de artigos que contextualiza esta decisão de tornar o site do jornal num serviço pago. Ontem fazia-se um apanhado de diferentes soluções que várias publicações têm adoptado para resolver o problema do financiamento na era digital. Hoje uma espécie de banda desenhada ilustrada pela Sara-a-Dias recapitulava a história dos jornais online em Portugal. Amanhã especula-se sobre o futuro do jornalismo, mais precisamente em 2041.

Não sei, na verdade, o que perdi para trás, nem quanto tempo mais vai durar esta série, mas enquanto durar vou acompanhá-la com atenção. Parece-me uma decisão muito correcta e materializada de forma útil e informativa. Concorde-se ou não com a decisão, o Público demonstra uma enorme sensibilidade para o facto de este ser um piso muito escorregadio.