Tom Dixon. O design entre o berço e o caixão

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Saiu no P2 de 20 de Janeiro, com o jornal Público, o meu artigo sobre a colaboração do IKEA com Tom Dixon, que entrevistei em Lisboa no lançamento da segunda fase da colecção Delaktig. As fotografias são de Miguel Manso. É o meu primeiro trabalho para um jornal nacional generalista e pode ser lido AQUI.

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Esta cidade não é para novos

Nos últimos meses andei à procura de casa para arrendar em Lisboa. Não foi a primeira vez — nem a segunda nem a terceira — mas qualquer outra pessoa que já o tenha feito percebe certamente o drama que é. O mercado do arrendamento imobiliário em Lisboa é uma selva. Casas aparecem de manhã, desaparecem à tarde. Senhorios pedem rendas abusivas por apartamentos a cair de podre. Pelo meio, com um bocadinho de sorte, ainda se arranja maneira de ser burlado. A procura de apartamentos para arrendar cresceu, já não há tanta gente a querer comprar casa, mas os processos não se agilizaram — bem pelo contrário. Ser jovem e viver em Lisboa não é uma boa combinação.

Há dois meses integrei uma equipa de trabalho das Belas-Artes que trabalha num projecto da Câmara Municipal de Lisboa sobre o comércio da cidade. Aí tenho vindo a perceber a forma completamente injusta e despudorada como o devir do mercado e a marcha do progresso movido a tuk-tuk tem levado tantas lojas históricas da cidade a encerrar portas. Não se perde só património, isso é o mínimo. Perde-se actividade, perdem-se relações sociais, vida urbana — perde-se gente.

Há aqui um paralelismo directo com o desajuste dos preços das rendas para habitação. É que esta cidade é cada vez menos uma cidade para se viver. Lisboa visita-se. Não interessa que os jovens não consigam pagar as rendas — fazem-se concursos nos Fablabs, empreende-se um bocado e chamam-se os Erasmus. O discurso público anda bem longe da realidade e toda esta imagem positiva de progresso e inovação é praticamente um insulto. O pior, parece-me, é que não há uma culpa centralizada. De certa forma, toda a gente apanhou a onda e agora vamos ver no que isto dá. Há uns meses atrás fiz a escolha de assentar aqui, de não emigrar ou estudar ‘lá fora’. Muitos não estão para isso ou simplesmente não podem esperar mais. Ficar é cada vez mais a segunda escolha.