As notícias

Hoje assinei a edição digital do The Economist. Já há vários meses que queria assinar um jornal ou revista de notícias, mas fui sempre adiando devido à indecisão. Experimentei o modelo do Expresso, que até acho bastante interessante: compra-se o jornal ao Sábado e tem-se acesso ao conteúdo digital durante o resto da semana. É uma espécie de assinatura sem grande compromisso, o que é positivo, mas senti que os conteúdos eram relativamente limitados. O mesmo acontece com o Público, cuja versão digital não me convence, e não estava interessado numa assinatura em papel. Remetendo a escolha para os internacionais, depois de uma triagem a maior dúvida ficou entre o Economist e o New York Times. Experimentei ambos durante algum tempo nas suas versões gratuitas e só fiquei com pena de não ter dinheiro dispensável para assinar ambos. Acabei por escolher o Economist porque além da qualidade jornalística e da escrita, dá-me ainda a possibilidade de ouvir os artigos, o que é perfeito para viagens e para lavar a loiça quando ela se acumula numa pilha. O facto de ser semanário também se adequa mais ao meu tempo de leitura, além de preferir ler artigos mais “processados” e informados sobre os assuntos da actualidade, bem como a excelente vertente histórica e cultural que as peças do Economist apresentam. A tempos, vou comprando a Courrier Internacional por estes mesmos motivos e continua a ser uma das revistas que me dá mais gosto ler. Sinto que para aproveitar a assinatura do NYT decentemente tinha de ser um verdadeiro nova-iorquino inundado em cafeína e com níveis de stress estilo Woody Allen, a ler notícias freneticamente até ficar atormentado. Assim, posso ler com calma peças escritas (penso eu) com a calma necessária para serem devidamente informativas, mesmo quando assumem posições ideológicas muito demarcadas (o número desta semana do Economist é um enxovalho monumental ao Jeremy Corbyn). Vou complementando com a app Economist Espresso, que dá um resumo das notícias do dia, bem como uma consulta ao Guardian e aos 10 artigos mensais do NYT. Sinto-me um bocado como o Miguel Esteves Cardoso, nas suas crónicas recentes para o Público, ao escrever sobre isto, mas dá-me um especial prazer encontrar uma lógica eficiente para ler notícias sem sentir que isso seja uma obrigação. É como ver o quarto arrumado de quinze em quinze dias, ou a loiça lavada depois de um grande jantar com amigos.