Agora, irrepetível.

Tenho andado muito ocupado, mas entusiasmado, com a exposição dos finalistas de Design de Comunicação da FBAUL. Chama-se Agora, irrepetível., a primeira parte está exposta na galeria das Belas-Artes até dia 29 deste mês e a segunda parte inaugura logo no dia 30 no edifício da Trienal de Arquitectura de Lisboa. Tendo trabalhado sobretudo no livro com o mesmo nome, que também já está à venda, tenho-me dedicado recentemente à programação cultural criada à volta da exposição e que pretende fomentar discussão e reflexão, sob várias formas, à volta de um tema assumidamente político, que é a “Juventude em Marcha”.

Quanto ao projecto em si, e aos resultados que vão agora surgindo, estou muito orgulhoso pelo trabalho desenvolvido com colegas e professores. Foram muitas primeiras experiências e aprendi muito neste processo. Tive a oportunidade de escrever um texto que é talvez o maior que assinei até hoje e que está publicado no livro. Foi um grande desafio, e também uma grande sorte, terem-me confiado tantas linhas para expor algumas ideias. Mas é apenas um texto entre outros, assinados por professores da faculdade, e cuja leitura é, a meu ver, fundamental. Há ainda, claro, uma grande maioria (uma maioria boa, absoluta) de páginas dedicadas à voz dos alunos, através dos seus projectos. É nestes trabalhos que, de forma muito plural, se discutem questões urgentes relacionadas com o ensino, o meio e a geração (os três núcleos conceptuais que dividem a exposição da galeria e o meu texto).

Tem sido interessante ver e ouvir as reações das pessoas, e arrisco-me a dizer que esta exposição tem sido entendida como uma exposição sobre um tema e não sobre uma turma. Sim, é uma mostra de alunos, mas julgo que todos nos podemos orgulhar de, pelo menos em parte, conseguirmos comunicar ideias, posições e dúvidas. Muito terá falhado e falhará ainda, mas não me parece de todo descabido que se possa pensar em tudo isto como um manifesto. Esta é uma posição que eu defendo para todo o projecto.

E sem me afundar no auto-elogio colectivo (e porque também aguardo o contraditório), estendo assim o convite à meia-dúzia de leitores deste blogue a visitarem a nossa exposição, a lerem o nosso livro, a falarem connosco nos vários momentos da nossa programação. Espero em breve escrever mais sobre o assunto, directa ou indirectamente. Por enquanto, links e algumas fotos de bastidores em baixo.

https://www.facebook.com/agorairrepetivel
agorairrepetivel.belasartes.ulisboa.pt

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As notícias

Hoje assinei a edição digital do The Economist. Já há vários meses que queria assinar um jornal ou revista de notícias, mas fui sempre adiando devido à indecisão. Experimentei o modelo do Expresso, que até acho bastante interessante: compra-se o jornal ao Sábado e tem-se acesso ao conteúdo digital durante o resto da semana. É uma espécie de assinatura sem grande compromisso, o que é positivo, mas senti que os conteúdos eram relativamente limitados. O mesmo acontece com o Público, cuja versão digital não me convence, e não estava interessado numa assinatura em papel. Remetendo a escolha para os internacionais, depois de uma triagem a maior dúvida ficou entre o Economist e o New York Times. Experimentei ambos durante algum tempo nas suas versões gratuitas e só fiquei com pena de não ter dinheiro dispensável para assinar ambos. Acabei por escolher o Economist porque além da qualidade jornalística e da escrita, dá-me ainda a possibilidade de ouvir os artigos, o que é perfeito para viagens e para lavar a loiça quando ela se acumula numa pilha. O facto de ser semanário também se adequa mais ao meu tempo de leitura, além de preferir ler artigos mais “processados” e informados sobre os assuntos da actualidade, bem como a excelente vertente histórica e cultural que as peças do Economist apresentam. A tempos, vou comprando a Courrier Internacional por estes mesmos motivos e continua a ser uma das revistas que me dá mais gosto ler. Sinto que para aproveitar a assinatura do NYT decentemente tinha de ser um verdadeiro nova-iorquino inundado em cafeína e com níveis de stress estilo Woody Allen, a ler notícias freneticamente até ficar atormentado. Assim, posso ler com calma peças escritas (penso eu) com a calma necessária para serem devidamente informativas, mesmo quando assumem posições ideológicas muito demarcadas (o número desta semana do Economist é um enxovalho monumental ao Jeremy Corbyn). Vou complementando com a app Economist Espresso, que dá um resumo das notícias do dia, bem como uma consulta ao Guardian e aos 10 artigos mensais do NYT. Sinto-me um bocado como o Miguel Esteves Cardoso, nas suas crónicas recentes para o Público, ao escrever sobre isto, mas dá-me um especial prazer encontrar uma lógica eficiente para ler notícias sem sentir que isso seja uma obrigação. É como ver o quarto arrumado de quinze em quinze dias, ou a loiça lavada depois de um grande jantar com amigos.

Adeus, Pickwick

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Finalmente acabei de ler os Cadernos de Pickwick (título abreviado) de Charles Dickens, mais de um ano depois de ter começado. Durante este tempo tive oportunidade de muitas vezes me cansar de o ler, de ter vontade de pegar nele outra vez, de ser derrotado pela preguiça de retomar um livro tão grande, de adiar para mais tarde o acto de coragem. Escrevi um artigo sobre ele quando ia mais ou menos a meio, li vários outros livros entretanto. A obra original era para ser lida mais ou menos assim. Os vinte fascículos mensais tornaram a história episódica, por vezes desconectada, mas nunca desinteressante. Foi provavelmente o livro mais divertido que já li, e um dos poucos que me fez rir à gargalhada. Pickwick é, sem dúvida, um excelente companheiro para viagens longas.

A verdadeira expansão da FBAUL

Amanhã de manhã na FBAUL serão apresentados à comunidade escolar os novos espaços obtidos depois de um protocolo obscuro que meteu ao barulho a faculdade, a PSP e o MNAC. Parece que tudo vai começar com o derrube da parede que separa os espaços actuais dos recém adquiridos. Parece-me bem assinalar o momento, mas não se pode correr o risco de entrar em euforias. Os problemas desta escola não se vão resolver todos com mais espaço. Ao mesmo tempo, quem anda atento, sentir-se-á certamente optimista com o ambiente vivido na escola. Não por iniciativa institucional, mas pela parte dos alunos. Cada vez se fala mais a sério sobre os problemas de comunicação entre alunos e entre estes e os professores. Cada vez existem mais iniciativas, com maior ou menor expressão, mas que todas contribuem para uma nova forma de participar nos assuntos das Belas-Artes e não só. Há ainda uma nova AE, que até agora tem desenvolvido um papel fundamental em todas estas questões. Ao contrário do que acontecia antes, há agora trabalho a ser feito, e bem, a pensar na totalidade dos alunos e não apenas em grupos restritos, vestidos a rigor. De tudo o que aconteceu no dia em que a escola encerrou como protesto, cumpriu-se a mais importante das promessas: os alunos acordaram. Que amanhã se faça a cerimónia, tudo bem, mas a verdadeira razão para estar confiante no futuro desta faculdade tem acontecido todos os dias, de forma discreta e sem hora marcada.