Olaria de Bisalhães: uma correcção e alguns apontamentos

Numa discussão no seguimento do meu texto anterior sobre a olaria de Bisalhães, fui encaminhado para um documento da candidatura à classificação pela UNESCO que prevê um possível programa de investimento, relativamente detalhado, no sentido da salvaguarda e promoção do ofício. Não é, portanto, verdade o que disse acerca da inexistência de uma estratégia de investimento que acompanhasse o valor anunciado. No fim do texto fica o link para o documento de candidatura. Este documento reúne também conclusões de levantamento sobre a actividade. Destaco a importância do capítulo “2. Need for urgent safeguarding”, que aponta para os motivos da decadência da actividade, e para o capítulo “3.a. Past and current efforts to safeguard the element” que descreve algumas medidas recentes. Não é ainda o estudo de levantamento desejável a que me refiro no texto anterior, pois este deve ser mais completo e aprofundado, além de prever uma recolha multimédia e de material físico, além de outros elementos que naturalmente não cabem numa candidatura. Diga-se ainda que tal levantamento prevê também uma reunião de material teórico já produzido e publicado, não se substituindo, quando ele existir, ao conhecimento adquirido por anteriores estudos e investigações. Ainda assim, os capítulos que referi antes são excelentes pontos de partida para este estudo cuja enorme relevância prevalece no estado actual do ofício, em linha com a longa história que antecede o panorama actual.

Reforço ainda que o meu cepticismo não visa desacreditar o trabalho em curso. Esta classificação da UNESCO é uma oportunidade única, talvez a última, para salvaguardar e reactivar a olaria de Bisalhães. Como tal, e dada a urgência da acção, não gostava de a ver desperdiçada. Nestes primeiros meses deve-se aproveitar a exposição do assunto para iniciar uma discussão mais alargada, que convoque uma maior variedade de pessoas e opiniões. Não é tempo perdido, é conhecimento ganho. Como já tive oportunidade de sugerir em conversa com uma das pessoas envolvidas no processo de candidatura, um bom começo seria disponibilizar este documento em língua portuguesa, num layout mais acessível e disponibilizando vias de comunicação com a CMVR, que eventualmente culminassem num grande fórum de debate e reflexão sobre este programa.

O documento de candidatura em causa pode ser lido aqui.

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