Política aventura

O momento político do país é particularmente interessante e para grande parte das pessoas, nas quais me incluo, uma grande e bem-vinda lufada de ar fresco. No meio disto tudo, destaca-se o facto de haver uma alternativa não apenas ao governo da direita, mas também ao dito arco da governação. É certo que este acordo histórico é fruto de condições muito especiais, as do país por um lado (mergulhado em crise) e as eleitorais pelo outro (uma derrota surpreendente do PS, um crescimento inesperado do Bloco,…). Ainda assim, o consenso à esquerda parece ir além do mero oportunismo, e especialmente as relações entre PS e PCP podem quebrar com um velho dogma ainda omnipresente na nossa paisagem política, social e cultural. Também pode correr muito mal, mas isso não é desculpa para perpetuar o que tem sido uma governação exasperante e destrutiva da direita. Nota-se que finalmente há debate aceso e consequente. Mesmo na oposição à coligação de esquerda, e aqui excluo a idiotice habitual de alguns (muitos) comentadores da direita conservadora que já são só ruído de fundo, até nesta oposição parece haver um assumir da cultura democrática que tanto tem faltado ao país. Isto acontece, é certo, depois de um penoso deserto discursivo em que se andou a discutir a legitimidade de uma maioria parlamentar. Isso sobrou para os Observadores do país. Agora estamos noutra. Não me chateia nada ver Assis a fazer uma campanha contra a opção de Costa, não me custa nada ler, ouvir e perceber os argumentos usados contra o governo de esquerda. Este debate tem ajudado a clarificar as ideias e estou cada vez mais seguro que votaria com confiança nesta opção se ela agora fosse às urnas. É natural que as pessoas estejam apreensivas e com algum receio. Eu estou. Mas ao mesmo tempo estou muito entusiasmado com as possibilidades futuras. Mesmo sabendo que poderemos sofrer, como a Grécia do Syriza, uma campanha de agressão por parte da Europa. Mesmo sabendo que a coligação pode ser mais frágil do que parece. Mas como nunca aconteceu, também temos que saber que pode correr muito bem. Esta esperança é tudo depois de 4 anos de calvário. E se as Europas, os Cavacos e os Credores deixarem, estou certo que a esquerda não nos levará à cruz. Podemos dormir descansados. 

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