Abrir os olhos

O princípio ético que move a mais recente campanha de comunicação do Metro de Lisboa é altamente duvidoso. Ninguém põe em causa que a fraude seja uma coisa má, mas ninguém na empresa terá pensado nas razões que dão origem às fraudes? Ninguém terá pensado que muita gente não paga o passe porque 35 euros e não sei quantos cêntimos por mês pode ser demais numa frágil estrutura familiar a nível económico, cada vez mais comum em Portugal? E as várias deslealdades cometidas para com os trabalhadores e antigos trabalhadores, algo naqueles grandes olhos azuis reflecte essa realidade? Como se não se chegasse uma má mensagem, e vindo do Metro de Lisboa, há também um péssimo design, apresentado de uma péssima forma. Este genial press release fala de “teaser”, “buzz” e “claim”, entre outras formas tão vagas de tentar explicar o inexplicável que apenas tornam mais irrisório todo este fail de campanha. Escusado será dizer que o feedback dos utilizadores foi mais do que negativo, podendo-se tudo reduzir à velha, óbvia e gasta máxima: “quem tem telhados de vidro não atira pedras aos vizinhos.” Alguém precisa de sair do escritório e perceber que a degradação do serviço vem de uma péssima administração e política do mesmo, não dos utilizadores ou dos trabalhadores, como muitas vezes nos querem fazer acreditar, amiúde virando uns contra os outros.

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