O que tem Milão?

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Faz agora uma semana que andava na dolce vita em Milão. De uma passagem muita rápida pela cidade da moda por excelência, e do design porque os milaneses assim insistem, guardo excelentes recordações. De Itália conhecia Roma e Florença, mas em muito pouco se pode comparar Milão a estas duas cidades. Muito mais escura, pesada e por vezes industrial, o que não é o mesmo que dizer mais feia ou desconfortável. Talvez a vista mais bela que a cidade me proporcionou foi do topo do flamejante Duomo para a brutalista Torre Velasca. Um edifício impressionante e quase absurdo, mas que nada tem de non-sense. É interessante pensar que os arquitectos, o estúdio/parceria BBPR, acreditavam que aquele seria o rumo da reconstrução da Milão pós-guerra. Um passeio pela cidade e podemos, claramente, entender que este foi um caso excepcional, que Milão se reconstruiu de outras formas, mas que guarda preciosamente este testemunho de um debate difícil. Milão maravilhou-me pelas histórias pouco românticas que conta, pelo europeísmo urbano que Roma e Florença não têm, e que aqui convive de forma harmoniosa com o passado histórico da cidade e do país.

Milão, cidade com dinheiro, indiferente à crise, onde é estranhamente agradável ver gente a gastar tanto. É uma espécie de anestesia à austeridade, constante da nossas vidas, que aqui parece inexistente. Entre a Gucci e a Prada, não importa quão mal está a Itália ou a Europa — os sacos circulam nas mãos dos turistas que atravessam várias vezes ao dia a Galleria Vittorio Emanuelle II. (Quando comentei isto com a Sofia, ela comparou-o ao prazer de ver alguém comer chocolate quando estamos de dieta. Sem nunca ter feito dieta, parece-me uma boa metáfora.)

E por fim, Milão, cidade de muitos museus, exposições, galerias, pinacotecas. Onde finalmente vi uma boa exposição do Warhol, e onde conheci um pouco melhor o mito vivo do design industrial italiano. Onde Munari nos encontra em qualquer livraria, mesmo que só à última oportunidade encontremos o livro específico que procuramos. E depois de o encontrarmos, já somos um pouco mais milaneses, um pouco mais italianos.

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