Entre a EXD’13 e o Projecto Sociedade

Tem havido em Lisboa dois acontecimentos relacionados com o design que me fazer dividir as atenções. Por um lado, na Sociedade Nacional de Belas Artes, decorre uma série de eventos promovidos pelo Projecto Sociedade, que tem fomentado várias conversas, apresentações e exposições. Por outro lado, iniciou há dias a Experimenta Design 2013, sob o lema “No Borders”, a bienal que se vai estendendo pela cidade, também com conferências , exposições e eventos tangenciais de várias tipologias diferentes, tudo isto num formato bastante maior do que o do Projecto Sociedade. Hoje tive oportunidade de saltar de um para o outro, mas não quero compará-los, pois são coisas completamente diferentes. Vou apenas fazer um apanhado deste meu fim de tarde entre duas exposições.

Estreei-me na Experimenta com a visita ao Lounging Space, no convento da Trindade. Fomos muito bem recebidos, num espaço onde os prestáveis voluntários se viam em maior número do que os visitantes. No primeiro piso de exposições figuravam alguns projectos individuais e uma sala altamente atolada com trabalhos dos finalistas da licenciatura de Design Industrial da ESAD, colecção com o título “Lean on A”. Nas outras salas e corredores, a maior parte dos projectos evidenciava um diálogo entre o design e as artes plásticas, nomeadamente na vertente de instalação que assumiam. Alguns projectos, como o da Viarco, aproveitavam melhor as características do espaço na sua organização expositiva do que outros, que pareciam ficar desvalorizados pela sua timidez. É um problema recorrente nestas exposições que ocupam espaços que não foram pensados para acolher exposições, que se acentua quando acontecem contrastes de boas com más ocupações lado a lado. Foi algo que senti também, por exemplo, quando visitei o Edifício Axa no Porto, em Abril.

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“Lean on A”

No segundo piso figurava a exposição que me tinha deixado mais curioso, “Identity”, uma reflexão sobre a identidade de diferentes bienais de design pelo mundo fora, que funciona como potenciadora de um discurso crítico que conduz à Experimenta Design de 2014, em São Paulo, no Brasil. “Identity” tem como elemento principal uma exposição work-in-progress, à qual acrescenta um momento de debate a acontecer em Dezembro, no auditório do MUDE. Na verdade, fiquei desiludido com a exposição, pois se ela apresenta uma proposta de discussão interessante, não consegue materializar esse potencial, tornando o assunto da identidade numa questão algo redundante. Isto porque as diferentes bienais são apresentadas numa espécie de modo feira, com uma mesa cheia de objectos de comunicação, uns cartazes e um vídeo projectado no chão (isto na maior parte dos casos). Além de ser um esquema monótono, em que os objectos acabam por ser encarados mais como pequenas curiosidades devido à falta de contextualização individual, a própria forma como a sala está montada contribui para o cansaço dos visitantes. Como exposição que se propõe a ser uma reflexão, nunca chega a consegui-lo. É apenas uma exposição como tantas outras. Fico à espera do debate, que acredito ser capaz de colmatar as lacunas da exposição.

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“Identity”

No Lounging Space haveria ainda, às 18:30h uma apresentação e lançamento do projecto Best Portuguese Book Designs, com presença de Mário Moura. Com pena de perder isto, desloquei-me, no entanto, para a SNBA onde inaugurava a exposição “Juventude Projectos”. Diálogo entre designers e arquitectos jovens com designers e arquitectos outrora jovens, mas ainda vivos. Os primeiros escolheram, cada, um trabalho dos segundos, exposto no passado na SNBA (excepto num dos casos) e reinterpretaram-no. A premissa era extremamente interessante e a exposição não lhe fica atrás. Também foi excelente poder ouvir, nas palavras de cada autor, a explicação dos trabalhos. “Juventude Projectos” aborda a questão do tempo dos projectos e como eles acontecem no tempo. Não tenta extrair daqui uma moral ou um statement, mas antes exercitar um questionamento dos modos de pensar e executar o design e a arquitectura no início de carreira, ao mesmo tempo que valoriza os autores portugueses e o seus trabalhos. E fá-lo não através de uma glorificação de figuras, mas antes através de uma recuperação de ideias, projectos e processos aos quais atribui uma nova vida e utilidade, que as novas gerações podem (e devem) aproveitar.

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“Juventude Projectos”
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“Juventude Projectos”

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