Crítica ou algo do género

Tenho tido, nos últimos dias, várias conversas sobre a crítica. Toda a gente concorda que a crítica bem fundamentada é essencial para o trabalho de qualquer “criativo”. Mas questionei-me se a crítica gratuita e mal-intencionada não tem também o seu lugar. Ou seja, a crítica negativa gratuita é melhor que o silêncio, porque levanta uma discussão à volta do assunto. Refiro o termo “negativa” porque considero também existir uma crítica positiva gratuita, fruto das múltiplas relativizações que as pessoas costumam fazer: “para um português não está mau”, “o trabalho não é nada de especial, mas ele é meu amigo”. A crítica positiva gratuita é mais perigosa que a negativa porque conduz ao silêncio, que conduz à estagnação e à apatia. O facto de ser tão difícil hoje criticar sem ser olhado de lado, sem ser acusado de inveja ou mau espírito está directamente relacionado com a não-aceitação dos erros como parte integrante, quase sempre, de qualquer trabalho. Por vezes o erros sobrepõem-se ao sucesso e geram um falhanço. E depois? O problema é não tentar resolver os falhanços através da sua análise, mas antes baixar os standards e dizer que está tudo muito bonito. É preciso fomentar uma cultura em que a crítica é natural e frequente, que processa os resultados em vez de os avaliar num ranking. E não pode haver medo de ofender ou ser ofendido.

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