That Joke is Funny Again

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No passado dia 17 de Outubro a Penguin lançou a autobiografia de Morrissey (ex-Smiths, cantor a solo, lenda viva). Nada de estranho aqui, não fosse o livro lançado com a chancela Penguin Classics. Na internet realça-se o facto de o primeiro “clássico” ter sido a Odisseia de Homero, publicado como tal há mais de 70 anos. Entre aqueles que acham que um só livro poderá significar o descrédito de várias décadas de prestígio editorial e os que não precisam de ler a autobiografia para a considerarem um clássico, vai surgindo uma ideia interessante, que entra em concordância com a presença pública do Moz. Imaginando a Penguin como colaboradora no golpe, podemos estar perante mais do que uma simples jogada de marketing (é-o, também, sem dúvida alguma), mas de um exercitar da ironia particular de uma das personalidades mais importantes da cultura pop do final século passado/início deste. Tudo nesta edição, aparentemente absurda, faz sentido quando analisamos a personalidade de Morrissey, da qual não faltam relatos de atitudes inesperadas e contrastantes. Morrissey, o homem, é ele mesmo um clássico. Mas o seu classicismo esconde o radicalismo dos ideias que sempre ostentou, na música e na vida. A música dos Smiths era Pop, brilhante Pop, mas foi também mais Punk do que muitas bandas que levavam “Punk” na etiqueta. Publicar a autobiografia de Morrissey como um clássico é uma atitude Punk. É usar uma personalidade controversa para levantar toda uma discussão à volta do mundo da literatura e do prestígio das edições. E quem está por trás disto? Morrissey, obviamente. Ele que se recusou a publicar o livro se não tivesse esta classificação. Sabemos que o seu ego é grande, sabe-se que o seu génio também o é. Morrissey nunca construiu sobre o seu ego; construiu o seu ego sobre uma carreira como agitador, mais do que outra coisa qualquer. Tudo isto é muito questionável, mas tem de haver mais assunto nesta história do que simplesmente uma das editoras mais importantes da história da literatura moderna a ceder às pressões de um autor, por maior que ele seja, principalmente num tema tão sensível como o assunto dos “Clássicos”.

Mais e melhor está escrito neste artigo de Rebecca Rego Barry, para o site The Awl, que levanta questões interessantes sobre a legitimidade dos editores que “escolhem” o que é clássico ou não, e que faz uma breve análise aos antecedente controversos entre Morrissey e as editoras, neste caso, musicais.

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