Optimus Primavera Sound: invasão silenciosa

Na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa, juntaram-se, a propósito da série de conversas “Juntos”, João Paulo Feliciano, artista e músico, e Pedro Moreira da Silva, director de comunicação da Optimus. A conversa era sobre a reimaginação do Parque da Cidade do Porto a propósito do Optimus Primavera Sound, que lá se realizou este ano pela segunda vez. O caso do Primavera é realmente excepcional no panorama dos festivais portugueses, o que ficou ainda mais claro nesta discussão. Desde logo a forma particular como João Paulo Feliciano é introduzido no projecto: através do patrocinador principal e não da organização. Segundo ambos os intervenientes, este simples facto fez com que muitas das complicações que poderiam ser encontradas numa tríade de relações entre artista, promotor e sponsor, foram logo postas de parte. Refira-se que muito disto se deve ao facto de ambos já terem trabalhado juntos em projectos anteriores.

O papel de João Paulo Feliciano assume uma posição de charneira no festival, que precisava de se distinguir do seu “irmão mais velho” de Barcelona, sob pena de perder a continuidade na cidade do Porto. É também um trabalho de risco, como foi referido durante a sessão, mas um risco necessário pela razão referida anteriormente. Se o Optimus Primavera Sound não se podia afirmar pelo cartaz, uma versão cortada a metade em relação ao festival espanhol, tinha de encontrar uma identidade que lhe permitisse garantir um público que procura uma experiência particular e que a encontra no Parque da Cidade. Ao mesmo tempo, esta estratégia identitária precisava de incluir a marca Optimus, outro dos garantes do acontecimento do festival. É neste ponto que o OPS se começa a distinguir dos restantes festivais, com a sua implantação de marca de uma forma não-invasiva. De certa forma, a Optimus está mais presente neste festival do que outros naming sponsors estão na maior parte dos festivais de Verão, mas a forma subtil como se consegue fazer notar não afecta a experiência principal do festival: ver concertos. Um exemplo paradigmático é o da ausência de lonas nos PA’s, o que melhora a qualidade do som, ao mesmo tempo que não transmite uma imagem impositiva da marca ao público. Esta é uma das heranças que o OPS deixou a outros festivais, que começam agora a estudar o seu modus operandi original.

Acima de tudo, a estratégia de reinvenção de todo um espaço, em harmonia com as suas características intrínsecas, vai de encontro à natureza de um festival para pessoas que querem ouvir boa música em boas condições. Desde a selecção de um público-alvo específico cujas necessidade são atendidas cuidadosamente, à relação próxima com a cidade onde o evento acontece, percebe-se que o OPS não é uma versão soft do Primavera espanhol, muito menos um produto genérico cujas estratégias possam ser recicladas de ânimo leve. É um projecto muito específico, pensado e discutido, onde o processo minuncioso resulta numa experiência que satisfaz o público e garante o seu regresso, ou pelo menos as suas saudades.

(imagem via facebook oficial Optimus Primavera Sound)

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