Dois filmes, uma sala vazia e outro filme

Neste meu primeiro ano em Lisboa, o Espaço Nimas tornou-se num dos meus locais preferidos da cidade. A selecção de filmes é excelente e os preços, embora não sejam propriamente baixos, são mais acessíveis do que os do cinema “comercial”. Apesar de não ter assistido, nem de perto, ao número de filmes que gostaria, para mim ficará marcado sobretudo por ser a sala onde assisti ao brilhante “Tabu” de Miguel Gomes, duas vezes na mesma semana. De resto, quando há falta de planos e (raramente) tempo livre, o Nimas é o primeiro lugar onde procuro uma forma de o aproveitar. A minha grande pena é que poucas mais pessoas o façam, e não poderei deixar de sentir tristeza e um certo receio por esta sala, quando assisto a bons filmes acompanhado de mais 5 ou 6 espectadores.

Foi o caso deste Sábado. Tive o prazer de ver “Noutro País” (2012), do realizador coreano Sang-soo Hong, uma agradável viagem a uma aldeia sul-coreana, dividida em três capítulos. Somos guiados pela linha costeira desta aldeia por três turistas francesas (todas representada por Isabelle Huppart), diferentes ou talvez iguais, tal como o mundo que gira à sua volta. Comédia zen? Pode ser. O filme foi precedido por uma interessante curta-metragem de Filipa Reis e João Miller Guerra, intitulada “Fragmentos de uma Observação Participativa” (2013). Nesta curta acompanhamos três imigrantes brasileiras residentes em Lisboa, que partilham a casa e as suas vidas, entre o banal e o profundo, e com as quais é fácil simpatizar, mesmo nos breves 35 minutos de duração do filme. Interessante também é a presença incontornável da equipa de filmagens, que interrompe as cenas, dá indicações e até deixa o material de gravação exposto, entregando ao filme um carácter documental que flui paralelamente a uma eventual ficção, algo que aparentemente já tem o nome de “docuficção” (descobri o termo num bom texto sobre esta curta, escrito por Hugo Gomes, no seu blog Cinematograficamente Falando). Por fim, o outro filme do titulo trata-se de “Dentro da Casa” (2013), de François Ozon, e conheci-o através dos trailers que antecederam a sessão de Sábado no Nimas. O filme relata a relação entre um professor de Francês e um aluno com um dom para escrita. O seu dom torna-se, eventualmente, numa obsessão pela vida familiar de um colega, a fonte de inspiração da sua escrita. Um excelente filme, que talvez me faça voltar à referida sala, quanto mais não seja para que não fique tão vazia.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s