Breve nota sobre o rés-do-chão

É curioso que o piso pelo qual todos os habitantes do prédio passavam obrigatoriamente fosse também aquele que mais tentavam evitar. O paradoxo instalava-se, como é óbvio, pois apenas o encarceramento, dentro ou fora do edifício, poderia dar sucesso a tais tentativas. O problema em causa era o porteiro. Ou melhor falando, as suas conversas. Ou corrigindo novamente, as não-conversas, todas elas de situação. Ninguém ali tinha paciência para simpatias forçadas e sorrisos amarelos, discussões sobre o tempo ou queixumes do estado das coisas. Não tinha, e muito menos antes de enfrentar o trânsito caótico que as suas viaturas encontrariam breves minutos após arrancarem do estacionamento. Não, de maneira nenhuma, não há tempo para isso na vida apressada de um ser urbano e sofisticado. Azar do porteiro, homem rural e rude. 

4/8

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