Dixit #2 | Francisco Lusquiños e Luís Cruz (Covilhete na Mão)

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Francisco Lusquiños e Luís Cruz são dois terços da jovem promotora vilarrealense Covilhete na Mão. Ilídio Marques completa este trio implacável e encontra-se por estes dias fora do país. Fui à conversa com os dois primeiros, via Internet, no rescaldo dos três concertos recentemente promovidos em Vila Real: Norberto Lobo, Black Bombaim e Cavalheiro. Quando digo no rescaldo é a sério, pois na manhã seguinte ao último espectáculo lá estavam eles a falar comigo, apesar de toda a falta de sono que estas coisas acarretam. Para o Lusquiños este foi um grande passo para a promotora, “um risco que decidimos tomar”, afirma, e o Luís lembra-nos o quão especial é ter Norberto Lobo (que convidou Peixe, dos Ornatos Violeta, para surpresa inclusivé da organização) ao quarto evento e de seguida Black Bombaim a arrancar a sua digressão europeia. Para ele o balanço é positivo: “Estamos a chegar a mais pessoas, a mais lados. Houve gente nova que apareceu, que curtiu, e que vai olhar de forma diferente para os nossos futuros eventos porque estes compensaram”.

Este evento, considerado assim, de forma una pelos organizadores devido à proximidade dos concertos, parece o momento ideal para reflectir sobre o percurso da Covilhete neste meio ano. Voltando ao festival Se Esta Rua Fosse Minha, primeira produção do grupo, admitem que não foi fácil começar, mas confessam que também não é assim tão difícil quando reconhecem uma vontade nas pessoas de se mexerem e de terem ideias novas, faltando apenas “aquele passo”. As palavras do Luís são esclarecedoras: “Já tivemos milhões de ideias, e o Se Esta Rua… foi uma noite que correu bem, decidimos dar um passo, e olha, aqui estamos. A Covilhete também não é assim nada do outro mundo, somos três putos que têm uma paixão em comum, que é a música, e que tentam tirar proveito, não um proveito económico, mas satisfação pessoal para isto. É basicamente o que nos move, o que nos leva a colar cartazes, o que nos leva a fazer directas, passar uma semana a dormir três horas. Basicamente é isso que nos dá prazer, e não nos arrependemos de nada do que fizemos até agora.” A rede de contactos da Covilhete é alargada, mas há dois nomes que saltam à cabeça quando pensamos num contacto mais directo, são eles a ZigurArtists de Lamego e a Dedos Biónicos de Bragança: “quando criámos a Covilhete na Mão, um dos fundamentos seria mesmo esse, colaborar com a Zigur, com a Dedos Biónicos, e fazer uma ponte com todas essas outras promotoras transmontanas” diz o Lusquiños. Nuno Biónico, da promotora brigantina apresentou-se em DJ Set no fim do concerto de Norberto Lobo, e por estes dias a Dedos já organiza eventos em Vila Real. Porque é que toda a gente se entende? Luís explica: “tanto a Zigur como a Dedos é malta que corre por gosto”.

Com o passado revisto, viramo-nos para o futuro, que inevitavelmente vê a próxima grande meta na segunda edição do Se Esta Rua Fosse Minha. Felizmente, podemos ficar descansados: “Estamos a falar, já estamos a sondar as bandas e isso tudo. É algo que queremos mesmo voltar a fazer em anos vindouros. Foi algo que deixou marcas na cidade e isso é a melhor coisa que se pode dizer de um primeiro evento” – palavras do Luís. “É o nosso bebé!” – palavras do Lusquiños, que nos fala também das ambições futuras: “Para 2013 vamos continuar a fazer isto, a aproveitar as oportunidades, mas além disso temos já grandes projectos em mente, que esperamos que possam ser concretizados, porque já se sabe como é que isto é…Estes eventos até agora dependiam de nós, nós tínhamos o dinheiro para investir, podíamos tratar de tudo. Se quisermos dar um passo maior já vamos precisar de mais apoios e mais tempo”. O Luís completa: “Vai ser bonito, se concretizarmos aquilo que temos planeado vai ser pelo menos mais meio ano de festa até o Se Esta Rua Fosse Minha 2013”.

Acabam a conversa com um agradecimento que diz tudo sobre a unidade deste movimento vilarrealense. Diz o Lusquiños: “Sentimo-nos na obrigação de fazer uma referência a todos os que nos têm ajudado, nós estamos a fazer isto, mas só conseguimos concretizar todas estas coisas porque temos amigos que nos apoiam.” O Luís termina: “Nós somos três mas a família é muito grande. Olhamos para a Covilhete não só como eu o Chico e o Ilídio, mas como nós os três mais o Guilhermino, com a sua Blind & Lost, o Fuças (“que é rei”,ouve-se ao fundo), o Panic, a Lateral Creative Studios, o Club de Vila Real, o ABC da Cultura…É malta que nos tem ajudado imenso e que sem eles seria completamente impossível.“ E terminámos a falar da família Covilhete, de todos os amigos que ajudam e que se entregam também a esta causa, uma família cada vez maior. Aproxima-se o fim do ano e não posso deixar de referir a importância que a Covilhete teve em 2012, olhando para o futuro. Sem dúvida, algo mudou; Vila Real caminha agora para uma movida cultural, plural e estruturada em que pode acreditar, e estes três “putos com uma paixão em comum” estão na linha da frente. Que o meio ano de festa prometido não acabe tão cedo.

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