O lo-fi na linha da frente

Durante um casamento em Israel um bombardeamento por parte do Hamas é interceptado pelo Iron Dome (google it) e resulta no fogo de artifício que se vê no vídeo.

A cada guerra que passa, e que estranho é dizê-lo desta forma, a cobertura jornalística muda, deslizando para uma enorme reportagem global, feita pelas pessoas na linha da frente. A Primavera Árabe é o exemplo mais óbvio, mas nestas complicações do conflito israelo-palestiniano o caso torna-se ainda mais visível. Os vídeos caseiros substituem os trabalhos jornalísticos em campo, que dificilmente podem fazer um apanhado tão completo como aquele que se desenvolve sobretudo nas redes sociais. O vídeo acima, além do valor do registo em si, tem uma qualidade cinematográfica, é uma obra de arte espontãnea. O pânico no casamento, a música que continua a tocar, a fantasia final quando a ameaça se transforma num fogo de artifício celebrado e celebrativo. É Felini e é Kubrick. E no meio de todos os terrores da guerra, há valores que começamos a descobrir nestas imagens, histórias desconhecidas, momentos incrivelmente belos dentro do terror que lhes é inerente. O DocLisboa deste ano explorou esses momentos no seu segmento “Cinema de Urgência”, e acredito que está aqui um dos caminhos futuros da arte. Não o posso adivinhar nem caracterizar, falta-me conhecimento para tal, mas há algo que finalmente nasce deste estranho mundo lo-fi (mesmo que HD). Só não nos esqueçamos da guerra que apesar de tudo acontece.

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