Recordações de Coura 2012

Dei porrada na preguiça e aqui vai.

Cartaz de Paredes de Coura 2011: genial. Cartaz do mesmo festival em 2012:… Agora que lidámos com isto vamos ao que interessa, a review de tudo o que se passou por lá. Nos dias anteriores ao festival houve muita festa na Vila. O Primavera pode ter o Portugal-Alemanha, o Milhões pode ter o festival do marisco, mas a sério, pagar 80 euros (ou carregar o peso da credencial) e perder as festas do concelho é uma atitude que devia envergonhar qualquer festivaleiro. Houve, portanto, mosh ao som de covers de Xutos, boas bifanas na Albergaria e os finos mais mal-tirados de sempre no café dos finos a 70 cêntimos. Fica a dica. No dia 12, para o cheiro a parolo não se tornar demasiado intenso, houve peso do bom no Broas, com a dupla Gesso + Killimanjaro a assinar dois bons concertos, melhores ainda quando vistos do passeio. Para conferir tal facto é ir amanhã à Casa dos Pregos em Vila Real.

No primeiro dia de festival destacou-se a chuva, a cerveja oferecida pelo Quim Albergaria e o Pulp Fiction no Nico’s Bar. As bitches estavam cool.

Dia 14 houve chuva, andou tudo cagado, esgotaram as galochas e os impermeáveis. E pronto, não vamos falar mais disto. A nível de concertos houve Sun Araw com boas doses de chill, Japandroids com um concerto que não surpeendeu nem desiludiu (foi fixe) e tune-yards com o melhor concerto da noite, um mix de gritos do Ipiranga e loops feitos na hora. A Merrill Garbus sabe dar um espectáculo. Seguiu-se um concerto um pouco indiferente da lenda Stephen Malkmus, que mesmo assim não merecia a recepção chunga que teve por parte de um público que é conhecido como “o melhor do país”. Sou forçado a concordar com a Blitz. Depois de me secar em vários cafés da vila, regressei ao recinto onde na companhia dos meus amigos pedi ao Nuno Lopes que passasse a música do Tetris, tão característica nos seus sets. Este acto foi repetido durante o resto do festival, sem que o pedido fosse acedido. Infelizmente, vim a saber que a última noite foi encerrada ao som deste mesmo tema, quando já nenhum de nós se encontrava no palco after, pelo que a nossa ira contra o Nuno Lopes não diminuiu.

Dia 15 e abria o palco principal. No entanto trago as melhores recordações do secundário, como, aliás, foi regra geral em todo o festival. Às seis da tarde assitiamos a um excelente concerto de Willis Earl Beal, umas das personagens mais marcantes do festival. Carismático e dono do maior estilo do mundo, foi apresentando a sua visão urbana da Soul negra norte-americana. Sozinho, encheu um palco. Durante o resto da tarde nada mais a registar, tendo conseguido patinar implacavelmente no azeite que os Sleigh Bells fizeram o favor de espalhar em frente ao palco EDP. Ufa! Nunca tinha visto dEUS (*inserir trocadilho*) ao contrário de 95% da população nacional. Até podia ser a sua centésima vez por aqui, mas valeu a pena. Bom concerto e uma presença em palco ao nível de um cabeça de cartaz (o que era improvável). Digitalism foi porreiro, embora desnecessariamente violento por parte do público (mais uma constante, nesta edição). O after foi o ponto alto do dia/noite. TEED já é mais que uma promessa na música electrónica, e aquilo que em teoria parecem ser teatralidades demasiado random, dão ao espectáculo ao vivo outro gosto. Dançarinas jeitosas, quero com isto dizer. Kavinsky é rei. Melhor set de sempre? Lá perto.

O dia seguinte guardava um sequência de 3 concertos demasiado boa, tanto que resultou numa infeliz sobreposição. Gang Gang Dance podia ter sido melhor, tivessem eles tocado a outra hora. Mesmo assim, valeu por aqueles incríveis synths azeiteiros e pela presença do Baby Love. És grande! A seguir houve of Montreal e o festão que se poderia esperar da sua parte. O Barnes continua a ser um dos frontmans mais incríveis da actualidade. Inflizmente, antes do fim de of Montreal, que diz-se, foi o melhor, começava no secundário Deer Tick. Mas valeu a pena a deslocação, não sendo um conhecedor profundo dos gajos, fiquei surpreendido com a recepção eufórica que tiveram de uma tenda meia-cheia. Um pequeno culto em Portugal. Os Deer Tick tocam rock de influência sulista e saloia, com um cheirinho a Black Lips, e o seu concerto foi de uma intensidade enorme (estavam todos bêbados) e pode-se (posso) dizer que foi o melhor do festival. Neste momento já esgotei todas as piadas que poderiam ser feitas com o facto de um senhor da banda ter tocado guitarra com a pila.

O último dia guardava o regresso dos Ornatos Violeta sobre o qual já estou farto de falar, por isso vou resumir. Estava a ser fixe até ao primeiro encore, enquanto toda a gente sabia as letras e a banda até parecia ser interessante. Infelizmente os Ornatos já não interessam a ninguém que tenha seguido em frente dos anos 90. Não quero ser má pessoa, porque também já ouvi, mas a histeria à volta do regresso faz-me comichão. Queriam sabastianismos? Tivessem ido ver Jeff Mangum (ou o aparecimento do messias na Casa da Música). O pior é terem sido cabeças, se isto não tivesse acontecido já não incomodava tanto e até tinha piada. Como neste dia fiquei doente não vi grande coisa. Houve um concerto fixe, embora post-rockamente banal dos God Is An Astronaut e também dos Dead Combo. Gostei de estar à conversa com as meninas simpáticas do posto médico, que me deram um brufen e apetece-me saltar da ponte por não ter ido a Chromatics.

Resumindo, e porque vou jantar ao Indiano. Foi uma semana brutal, como seria de esperar. Paredes pode já não ser o melhor festival destas bandas, mas tem tudo para um gajo se divertir como não o fará no resto do ano. Não conheço lugar mais propício em Portugal para tão geniais e engraçadas histórias que depois se contam ao pessoal que não foi. Recomendo? Pois claro! Só não esperem cartazes a lá Primavera e levem a coisa na boa. Peçam a música do Tetris, perguntem nas piscinas se têm bidé para fazer um chap chap. Mandem vir com os gajos do trance e rebolem na lama se forem vagarosos mentais. E não se esqueçam da música, que por mais porcaria que haja no cartaz, os bons concertos estarão sempre lá. Isto aqui não é o Sudoeste, boy!

Voltarei, Coura.

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